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JESUS VIANA em O PRANTO DE MARIA PARDA

JESUS VIANA em O PRANTO DE MARIA PARDA

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                                                                                                                                                  por Maneco Nascimento

Terça tem espetáculo? Tem, sim senhor!

 

viana2Nesta terça, 04 de abril, às 19 horas, no Theatro 4 de Setembro é dia de Teatro de estreia. De Terças da Casa – Terça Teatro, com a estreia do espetáculo “O Pranto de Maria Parda”. Espetáculo Solo, em que o ator Jesus Viana traz ao tempo contemporâneo as falas e vozes das cidades lusitanas, em Gil Vicente, século XVI.

 

A trama, o Drama, fala das memórias dramáticas às diligências sociais gilvicentianas ao teatro de costumes e ganha essa novidade em Jesus Viana, dirigido por Rosa Costa, que estreia como diretora de cena e ator.

 

Vidas enredadas ao séc. 16 e carpintadas ao teatro português, por pioneiro e mestre à posteridade, “Pranto de Maria Parda”, do autor, diretor, ator, Gil Vicente define-se para o que gera conflito e abre comunicativos de expressão social e denúncia de uma gleba, estrato das franjas das periferias que compunham o eixo social recortado por Vicente.

 

Um texto. Um ator. Uma personagem! MARIA PARDA! Persona/sociedade, sintetiza população excluída do século XVI em terras portuguesas. Uma mulher apreciadora das solidões, dos vinhos, das cachaças, dos guetos, mas principalmente dos sarcasmos.

 

“Eu sou eu, Maria Parda! Venha beber comigo”, declara a voz da personagem emergida na fala do ator Jesus Viana, que nos presenteia com esse libelo de discurso político, através de uma Maria das terras de Portugal.

 

O Projeto Terças da Casa é uma iniciativa da coordenação do Complexo Cultural, recebe apoio realizador do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Piauí, e tem como objetivo primeiro abrir oportunidades aos artistas, companhias de teatro e dança e música de realizaram seu projeto de espetáculo, sem ônus ao ator, cantor, bailarino-coreógrafo, que agendam uma pauta no Projeto. 

 

O Terças da Casa se amplia a três edições de linguagem. O Terça Teatro, Terça Dança e Terça Música Três em Um. Uma vez, por mês, cada uma dessas linguagens tem um dia para realizar seu projeto artístico, ocupar o Theatro 4 de Setembro e toda a bilheteria conseguida fica a quem está ocupando a vez. As taxas da Casa são dispensadas e os artistas só têm que corroborar na divulgação, atrair seu público e, o mais importante, apresentar proposta artística de ocupação do Theatro, por um dia.

 

Sobre o autor Gil Vicente

A obra de Gil Vicente vem no seguimento do teatro ibérico popular e religioso que já se fazia, ainda que de forma menos profunda. Os temas pastoris, presentes na escrita de Juan del Encina vão influenciar fortemente a sua primeira fase de produção teatral e permanecerão, esporadicamente, na sua obra posterior, de maior diversidade temática e sofisticação de meios. De fato, a sua obra tem uma vasta diversidade de formas: o auto pastoril, a alegoria religiosa, narrativas bíblicas, farsas episódicas e autos narrativos.

 

O seu filho, Luís Vicente, na primeira compilação de todas as suas obras, classificou-as em autos e mistérios (de caráter sagrado e devocional) e em farsas, comédias e tragicomédias (de caráter profano). Contudo, qualquer classificação é redutora – de fato, basta pensar na Trilogia das Barcas para se verificar como elementos da farsa (as personagens que vão aparecendo, há pouco saídas deste mundo) se misturam com elementos alegóricos religiosos e místicos (o Bem e o Mal).  

 

Gil Vicente retratou, com refinada comicidade, a sociedade portuguesa do século XVI, demonstrando uma capacidade acutilante de observação ao traçar o perfil psicológico das personagens. Crítico severo dos costumes, de acordo com a máxima que seria ditada por Molière (“Ridendo castigat mores” – rindo se castigam os costumes), Gil Vicente é também um dos mais importantes autores satíricos  da língua portuguesa. 

 

Em 44 peças, usa grande quantidade de personagens extraídos do espectro social português da altura. É comum a presença de marinheiros, ciganos,  camponeses, fadas e demônios, e de referências – sempre com um lirismo nato – a dialetos e linguagens populares. Gil Vicente mantinha a linguagem habitual das personagens.

 

Entre suas obras estão “Auto Pastoril Castelhano” (1502) e Auto dos Reis Magos  (1503), escritas para celebração natalina. Dentro deste contexto insere-se ainda o Auto da Sibila Cassandra (1513), que, embora até muito recentemente tenha sido visto como um prenúncio dos os ideais renascentistas em Portugal, retoma uma narrativa já presente na “General Estória de Afonso X”.  Sua obra-prima é a trilogia de sátiras Auto da Barca do Inferno  (1516), Auto da Barca do Purgatório  (1518) e Auto da Barca da Glória (1519). Em 1523 escreve a Farsa de Inês Pereira.

 

Auto de Mofina Mendes, onde se inclui uma anunciação, de acordo com os temas marianos, gratos ao autor, são geralmente apontados, como aspectos positivos das suas peças, a imaginação e originalidade evidenciadas; o sentido dramático e o conhecimento dos aspectos relacionados com a problemática do teatro.

Alguns autores consideram que a sua espontaneidade, ainda que refletindo de forma eficaz os sentimentos coletivos e exprimindo a realidade criticável da sociedade a que pertencia, perde em reflexão e em requinte. De fato, a sua forma de exprimir é simples, chã e direta, sem grandes floreados poéticos.

Acima de tudo, o autor exprime-se de forma inspirada, dionisíaca, nem sempre obedecendo a princípios estéticos e artísticos de equilíbrio. É também versátil nas suas manifestações: se, por um lado, parece ser uma alma rebelde, temerária, impiedosa no que toca em demonstrar os vícios dos outros, quase da mesma forma que se esperaria de um inconsciente e tolo bobo  da corte, por outro lado, mostra-se dócil, humano e ternurento na sua poesia de carisma religioso e quando se trata de defender aqueles a quem a sociedade maltrata.

O seu lirismo religioso, de raiz medieval e que demonstra influências das Cantigas de Santa Maria  está bem presente, por exemplo, no Auto de Mofina Mendes, na cena da Anunciação, ou numa oração dita por Santo Agostinho no Auto da Alma. Por essa razão é, por vezes, designado por “poeta da Virgem”.

O seu lirismo patriótico presente em “Exortação da Guerra”, Auto da fama ou Cortes de Júpiter, não se limita a glorificar, em estilo épico e orgulhoso, a nacionalidade: de fato, é crítico e eticamente preocupado, principalmente no que diz respeito aos vícios nascidos da nova realidade econômica, decorrente do comércio com o Oriente (Auto da Índia). O lirismo amoroso, por outro lado, consegue aliar algum erotismo e alguma brejeirice com influências mais eruditas (Petrarca, por exemplo). [fonte wikipedia)

 

Serviço:

Terças da Casa – Terça Teatro

“O Pranto de Maria Parda”

com Jesus Viana

terça 04 de abril,

no Teatro 4 de Setembro

Acesso: R$ 10,00 (meia)/R$ 20,00 (inteira)

informações: 3222 7100

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