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HERBERTH COSTA

Graduado em Educação Artística – Habilitação Artes Plásticas pela Universidade Federal do Piaui. Formou-se pela Oficina de Teatro Procópio Ferreira. Atualmente é Professor de Teatro em uma Escola Particular, Ator na Cia Pé de Moleque e Diretor no Grupo Metamorphose de Teatro. Espetáculos: “A Mala da Verdade”, “Umas e Outras de João Trancoso”, “Os Cegos” e “A Bruxa Chatonilda” – Direção de Walfrido Salmito; dirigiu “Via Sacra da Vila Operária”, “Branca de Neve e Silva” e “FACES”; escreveu e dirigiu “Mistério da Mata”.

 

Nada


Nada tenho para dar

Que tu já não tenhas nas tuas entranhas

Nada posso te dar, além do que carregas em seu intimo

E te consome a verdade ...

A bravura advêm de atos, de palavras pensadas

De gestos comedidos e ensaiados

Nada de ser apenas mais um sem graça

Nada de castrar o que posso lhe oferecer...

Sentimentos mesclam-se a pensamentos e me levam...

E percorrem os caminhos que trazem paz ,ao meu coração.

Nada de pular etapas

Nada de se contentar com migalhas de respostas mentirosas

Nada de não desnudar as perguntas não perguntadas

Deguste para refletir

Copie para crescer

Viva para sentir o fel e o doce das experiências

Nada de NÃO me oferecer

Nada de NÃO me dar

Só preciso saber

Se você vale a pena ,pra eu me dar a você...

Nada ...

(h. Costa)




Cio...


Rosto rubro e quente

Como as chamas das fornalhas do deus do submundo

Tremedeiras e suores gozosos

Impregnam e fazem minhas narinas expandirem-se com desejo

E buscarem novos ares para meu cérebro ,todo indundado de volúpia

E encharcado de vontades e cio...

Onomatopeias saem de minha boca em forma de gemidos

Meu corpo quente e trêmulo

Minha visão embaçada e petrificada. Olhando o molhado das minhas taras

Transportadas em gotas jorradas e arfadas ,espelidas em prazeres

Hum...

Desejo idealizado

Realizado no esconderijo das falsas moralidades

Cio...

Como pinceladas ,transfigurando a virgindade de uma tela ate então pura e intocada

Morta , derramando sobre ela

Espasmos de vontades e fetiches guardados e acumulados, no pincel de minhas energias.

Transformando com as cores e tons

Uma mistura de vontades no ápice orgástico

De sexos pluralizados

Cio... hálito quente

Sons impronunciáveis

Curvas descobertas

Sombras reveladas ,na protuberância pulsante

Do cio declarado e realizado...

Hummmmm...

Onde acho o ópio do pecado?

E transformo tudo isso

Nesse desejo, nesse cio danado...

(h Costa)




Cio II


Toc...Toc

Psiu...!!!

Hãmm!!?

Shiiii...

Smack…smack…

Heim??

Hum..hummmm

Ahhh!!...ahhh

Isssss…arrf..ahhhh..ãmmm..hummnnmm

Umhumm…

Oh…oh…ohhhh!!

Ah!...ahhhh

Vupt…vupt…vupt

Issssssss…

Hum…

Oh!oh!oh! ohhhhhhhhh…

AH!...ahhh!!!

Pchuft…!

Ahummm…ah! Umhh…ahhh!hummm

Isssssssssssssssssssssssssssssssssss…

AHHHH..oummmm…

Issssss…issssss…issssssss….hummm

Ummmmmmmmmmmmm…UMMMM…UMMMM…

Uff..uff..UFF,UF,UF,UF,UF,UF,UFFFFFFFFFFFF…

ZIPT!!...

Arrrrrr…arf..arf…

Shiiii!

Fui!

Blam…

Seu número ?...

…

(H costa)




Instante


Ouvi o grito do silêncio

E embalado na sintonia do ébrio escuro

Ressonado, vislumbrei  na companhia das horas

A sinfonia do algoz e misterioso instante

Tão suave e mordaz

Quanto o enigmático  silêncio que antecede as grandes metamorfoses.

Se me confundo ao meu próprio EU e receoso hesito.?

Nesse instante relutante de desencontros

Do desapego da carne latejante

Presa na crisálida estéril de uma covardia

Me pergunto sobre essa encruzilhada

Busco no instante, furtivo e covarde

O tal chamado sofrimento

Me vejo então, preso e atado

Metamorfoseando, metamorfoseando.

Adequando o tal instante, que supondo ser livre

Sou apto de salivar e degustar

Esse abraço adocicado

Num beijo demorado

Na volúpia de líquidos trocados...

Revela toda a magia. Desse instante esperado

Uma alquimia entre corpo e alma

Uma saudade do que não se perdeu

Fale com o corpo

Grite com a alma

Busque com o coração

Escolha com o tesão

E viva todos os instantes...

Talvez... talvez...

Eles não tornem mais não

(h. Costa)