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SUELENY RIBEIRO CARVALHO

Doutoranda em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Mestre em Letras pela Universidade Federal do Piauí – UFPI, Especialista em Estudos Literários pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI, graduada em Letras Português pela Universidade Federal do Piauí – UFPI. Professora da rede pública municipal de Timon-MA.  Experiência no ensino superior atuando na área de Letras com ênfase em Literatura principalmente nos seguintes temas: erotismo, identidade, estigmatização, literatura e cinema, com artigos publicados em livros e revistas especializadas nos citados temas, agraciada com o prêmio Paulo Veras – categoria contos – pela UFPI, autora do livro “A identidade na fronteira deslizante dos estereótipos”.

 

 

Carnaval de Cinzas


Era carnaval, a cidade se pintava de cores

Fita, mascara, figuras de aspecto festivo, fantasias sob o céu da cidade

Era carnaval

A música barulhenta e alegre vinha em ondas inundando o ar, 

pessoas andavam mais depressa querendo acabar o expediente para cair na folia.

A manhã de sexta ainda brilhava, 

o céu azul coroava o dia, o sol tão amarelo ... até sorria

Era carnaval...

A notícia escureceu o dia... A morte.

A morte implacável me disse que existia

Era carnaval

O mundo estava amarelo

E eu perdia a cor

Era carnaval

Pessoas passavam rindo, se não olhavam pra mim.

Era carnaval. E eu sozinha no meio do mundo

Chorando o pai perdido, lamentando não beijar seu rosto

Mesmo frio, morto.

Era carnaval e eu só queria dizer adeus

Mesmo depois do adeus

Pra poder acreditar...

(...)

Que eu era órfã ...

(...)

aos 32 anos de idade (tem idade pra perder o pai)

sozinha no meio do mundo

eu era órfã de pai

Era carnaval

Dois carro, um ônibus, nem sei quantas horas de estrada

A noite em claro no aeroporto

Era carnaval

Muita gente em festa, tudo lotado...

Era carnaval

Três aviões... infinita espera

Era carnaval

Muita gente em casa e uma festa triste

Era carnaval de choro de vela e de reza

De tristeza cinza pintou-se o dia

Era carnaval, bêbados no meio da rua

“- Mas que dia achou pra morrer, eh?”

Quanta alegria cabia na cidade em festa

Era carnaval...

Quanta tristeza cabia em meu coração?

Era carnaval três dias viram cinco quando é festa

Sete dias viram cinzas na perpetuação da dor

Era carnaval no céu

Era quarta feira de cinzas no meu coração.



Sueleny Ribeiro Carvalho

Setembro de 2006.